Não escrevo, nem canto
um encanto, verso liso de pranto
Não escondo, nem mostro
a voz que trago nos olhos
Não abraço, nem morro
em campa rasa, com a minha graça
Não escolho, nem encomendo
prato limpo, alimento que falta
Não nado, nem embato
escondidos escolhos, pedras que vi
Não seco, nem molho
sem saliva minha, sem sabor de ti
Não começo, nem acabo
julgando ser, onde já não sou
Não fui, nem sei se vou
ou sou o que seria, em ser que está
Não estou, nem vou
acabar no fim, sem haver começado
Não sei, nem bebo
sem gosto de não saber, sabendo que sou
Não remendo, nem rompo
a bolha em que vivo, a mesma que prende
Não recomeço, nem inverto
a investida contra o tempo
Não acedo, nem recomendo
à invicta causa, de pensar saber
Não transbordo, nem entorno
vinho de transtorno, bebedeira de mim
Já não risco, nem contorno
linhas que segui, em torto que sou
Já não quero, nem quero jamais
deixar de ser quem sou, sendo o que fui
5 comentários:
smaK!.smaK!.smaK!..
uma delicia! és mesmo um iluminado, inda bem que andas por aqui.( curto-te bué man!)
Não escrevo, nem canto
Não escondo nem saberia como mostrar o quanto gostei do que li.
Muito__________________________
Tanto__________________________
Tanto que talvez demais_________________________
É muito... muito... muito... espero que o saibas!
Estou... assim...cheia!
Tanto, tanto!
Obrigada.
Isabel
..mas riscas o céu para mim :)
é melhor assim... mas cuidado com os espelhos... eles podem enganar, por vezes ;)
dói-me o infinitamente razoável a que nada me proponho.
abstenho-me de saber quem fui, sabendo que nunca me virei p´ra trás.
pois já não me revejo em poesia,nem desperto madrugadas,
simplesmente existo de braços abertos.
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