De tanto a flor que sente
Sente e se sente assente
Acentua-se o pó no pólen
No ar que se respira e morre
E me inspira…
Não sei a quantas ando
Com quantas se nem tantas são
As mantas, travessas e travesseiros
Não sei, mas cheiro
E nem meio cheio fico…
À contraluz, ondulando a paisagem
Finda o dia em toque de brisa fria
É beijo, abraço que enlaço além mais
Mais que tudo, é um nada vazio de mim
E recomeço por onde sei…
Qual coração sem fórmula
Acção adicional, adicionada à mácula
Pouco se compadece a alma
Ao reencontro num caminho
E não me cruzo ao acaso…
Sem outros gestos distantes
Doce gosto pendido nos lábios
Rendidos, esquecidos, tramados
Não sei, mas sinto
E a espera estala em mim…
Enfatuado, crispado de manto azul
A velha guarda cravada na atenção
A olhar de outros olhos que nem ouso olhar
Passam no vagar necessário de mãos urdidas
E absolvo o pecado em labéu invertido…
Aquele rosto envolto em redondilhas de pranto
No beijo de uma viúva de boca enlutada
Pensar a lágrima caída, redonda, pesada
Beija a chuva o mar salgado, sendo o rosto a salina
E nada, mesmo que tudo fosse…
Os nadas de nada, nenhuns de nenhures
Rudes são as mãos que não esperam
Sujeitas à deriva da vontade
Maldito seja, eu e o meu nome
E respiro as laranjeiras em flor…