Traço fogo, de azul que já não tomo
bebendo em goles que não encontro
qualquer outra paixão senão aquela
daquela que mata e dissolve
qualquer outra que possa existir
Fruta verde, sem bicho que aparente
nas tuas mãos, que me são água e perfume
concedo um lugar à fome, por te ainda mais querer
Amor, de que a sorte não é feito
nem ouvido por melhores vozes que as nossas
Mais pequeno me sinto, quando te abraço
em todo o teu olhar, encontrando quem sou
procurando ser mais do que já sou
porque amar-te não é o bastante, tão mais será viver-te
em mãos que se unem e agarram
Colher-te cada dia, em todas as manhãs que temos
somos unos, enlaçados e devotos de nós
sem que a corrente me leve ao naufrágio de não te ter
em mim, no abismo do peito
na falta que seria não haver a metade que me dás
Quero sorrir-te, sendo o teu menino do mar
talvez ser-te planura, companheiro que te desejo ser
são estas as mãos que escrevem, no meu olhar que te procura
fazer-te feliz neste instante, nestas palavras que nada mais são
pequenas linhas de amor, de tudo o que me és, meu coração
Para ti, Amor.