Fui anulando a teoria de que mais nenhum ser existia em mim. Desvendando em cada segredo, um rosto antigo em que me reconhecia. Quando a folha estiver repleta, será. Assim acontecerá comigo, no seu devido tempo, proporcionado pela fé que me move.
Que me prenda num todo, sem nada deixar caído no esquecido. Que me valha mais do que as mil atenções. Assusta-me sentir a morte tão igual a todos, aos comuns. Tão depressa se instala, assim como o amor de uma mulher. Trago a cruz, a negro veludo.
Esse medo, ainda que me empate o caminho, resume-se a dedicar parte da ausência ao sofrer por amar. E quando se ama sofrendo na ausência de amar. Sofrendo-se por não ser amado, amando que se sofra pelo inimigo. Inimigo que sou, de mim.
Escrever linhas a fio, sem saber realmente para onde se encaminha todo este império. Poderia casar uma artéria minha a um vício maior. Recorrer à circunstância limite, tanta vez abdicando da própria sombra.
Pode o tempo decorrer por mais decanos manuscritos, perseguido pelo seu séquito de pensamentos vagos e incompletos. Poderei eu aguentar tanto assim como os próprios? Duvidosas solidões a que confio os momentos de fraquejo.
Faz-se na falta de uma outra luz, conspiradora e interesseira. Vis sepulturas a todos os que se julguem iguais, proferindo o meu nome em vão. Não me gastem em palavras fúteis, mesmo que sejam de auxílio. Clamem-me, porque eu digo que o façam! Nem a morte transformada em ouro bastaria para que valesse um dedo de mim.
O mundo, insuficiente, findando sempre no horizonte. Terreno agreste, grito saudoso de cada lágrima, suor e sangue. Acendalha viva em chama, minha batalha entre o Bem e o Mal. Impregnada a ligadura na tua saliva, não permite que me perca em pedaços que estou. No meu lugar, neste mesmo trono erguido à custa da minha escravidão, impero-me a reinar.