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sábado, 20 de maio de 2006

Terra


Nos meus dias de inquietude em que o silêncio reina
não bradam almas, não bole o vento
Meu negro mar que em tempestade se revolta
quando em ti destempero, arrefecendo os sentidos
Como me queimo…
Como te amo…
Minha terra, vastidão a que pertenço
São estes olhos, castanhos como tu
que te sentem, que te pertencem
Clamamos para além do horizonte
Em poucos versos, pois os dedos deturpam-me
e eu consinto, sinto-me à toa
Em meus lábios transporto fogo das queimadas
Palavras, sentimentos e desejos
Pela minha boca já tanto o teu nome passou
Sem que o gaste, proferindo-o com cuidado
É com amor que te desejo tomar
É assim... chegando de vaga em vaga
Toco-te, disperso-me por ti
Por entre línguas e dedos
Profundo desejo, ardente
Fico com tanta vontade de ti…
Finco os lábios para não te gritar ao mundo
Engulo, estremeço
Acalento o desejo de mergulhar
E libertar-me por fim
Esquecer-me…
Amar-te


12 comentários:

mar seven disse...

Escreve Marco,escreve sempre!
Cultiva e partilha a poesia do teu sentir.É na escrita,particularmente
na poesia,que melhor exorcizamos os nossos secretos fantasmas,os medos,as dores,a raiva,os desejos, o desencanto,a frustração,os ideais
a liberdade,os sonhos,a sede mental
Quem souber transpôr-se e questionar-se pela escrita,ou retratar-se por qualquer outra via artística,não precisará expor-se no
castrador divã do psicanalista.
Pela escrita canalizamos nossas energias,- ou + ,assim como pela arte,em geral...libertamo-nos e,só assim,nos perdemos e reencontramos.
E ninguém diga que não pode usar esta sublime terapia por não ter jeito.A poesia é inerente a toda a criatura pensante,racional.Basta ter-se alma,consciência emocional e deixar vazar tudo o que nos fervilha no espírito.A forma e o estilo,com o tempo,burilar-se-ão.
E os nossos neurónios agradecem,as sinapses cerebrais reactivam-se e nossa ligação com os outros acontece!
Beijos,Meguinha

morgaine disse...

diabos te levem, nem dizias nada? ao menos acende a luz, tá escuro aqui! :)). Hum.. gostei.. posso por o link no meu space? não faço nada sem tua licença claro :PP

morgaine disse...

diabos te levem, nem dizias nada? ao menos acende a luz, tá escuro aqui! :)). Hum.. gostei.. posso por o link no meu space? não faço nada sem tua licença claro :PP

Cereza disse...

tás a ver meguitas? Faço pub ao teu blog, e pimba tens cá a melga da morgas! outros viram c
a melgar.

mar seven gostei de ler o seu comentario... mas eu sou um dos casos que não sabe mesmo escrever poesia. não sai... mas escrevo outros coisas :)
beijos

morgaine disse...

melga eu? nao seja por isso.. deixo de cá vir :P

morgaine disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
marta disse...

Vá lá mazé a pôr musica aqui!!!Senão não há chapamgne pa ninguém! lol Um beijo pa ti Mega.

Majoca/SaloiaLoira disse...

E eu tive de vir cuscar...ah rico marco...mais um que me vou viciar?
E aqui fica mais uma melga!!! beijo nessa bochecha

PatanisKa disse...

Marco.....n me apetece comentar....só suspirar....posso???

marseven disse...

«cereza»

Ñ acredito nessa sua suposta incapacidade.Poesia,nada mais é que o arrebatamento do nosso sentir
É só questão de nos expormos pela palavra,não importa a ausência de estilo,a falta de métrica ou o caos
das estrofes.Esses cuidados literários ficam à responsabilidade
de quem escreve por obrigação ou por sujeição editorial.Nós,os simples mortais pensantes,os leigos
os anónimos da escrita,ñ temos de assumir regras nem rimas estéticas.
A poesia livre,o primeiro golpe de asas para quem deseja voar,é simplesmente,um texto cuja prosa se altera apenas na distribuição das frases pelas linhas,passando estas a designar-se versos.A arrumação das expressões é feita consoante nosso gosto e harmonia estética.
Quem é bom prosador,já tem o crédito poético inscrito no seu código mental.É só dar-lhe outra configuração e pôr-lhe um vestidinho diferente.
«cereza»,experimente e vai ver como
é fácil.É só acreditar e fazer!
Somos capazes de tudo o que quisermos e nos propusermos fazer.
E você escreve muito bem!
Agora sou eu que quero,um dia destes,sentir-me orgulhosa por tê-la instigado a versejar.
O ambiente em que se vive tmb tem muita influência.O meu belo Alentejo é um lugar prodigioso para
arrebatar a alma!
Bjs

Cereza disse...

marseven agradeço a força, e prometo que vou tentar. Mas de facto tenho alguma dificuldade passar para o "papel" sentimentos e emoções em forma de poesia. Curisosamente já falei sobre isso com o Marco,e ele é da sua opinião.
Mas há pessoas que têm mais facilidade em dizer o que sentem. Gosto muito de ter os poemas do Marco no UJ porque me identifico muito com eles.. com a maneira como ele sente as coisas... mas tenho de admitir que é dificil para mim exprimir-me da maneira como ele o faz.
Bem, mas vou tentar :))
beijo marseven

marseven disse...

cereza

Tenho grande empatia e cumplicidade
com o Marco,mas tmb ñ consigo passar ideias,sensações e conflitos interiores,com a complexa
intensidade com que ele o faz.Cada pessoa tem suas fórmulas peculiares de exteriorizar sentimentos e emoções.As do nosso Mega são intrincadas e densamente elaboradas.Eu sou mais despojada, mais simplista,menos sinuosa,mais positivista,talvez.Cada pessoa é um ser único,completamente original
Ninguém se pode comparar a alguém.
Sinceramente,acho a poesia do Marco bem mais densa,questionante e estruturada do que é habitual.
Ele é um pensador nato!É um artista em potência.Estes espíritos
são muito independentes,descurando outras perspectivas de vida que ñ podem ser ignoradas.Nós somos um todo.Temos de cultivar todas as nossas facetas elementares.Assim se fazem as criaturas inteiras.