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sexta-feira, 13 de outubro de 2006

Um Dia

Por onde começar se nem sei onde fiquei. Não sei, não vejo, não sinto e nem quero saber...
- Mas saberás um dia

Então espero por ele ou decido continuar de olhos fechados, de costas para o mundo e para o que não quero ver...
- Talvez não te deixem ver... talvez te escondam a realidade.
Quiçá... talvez seja eu próprio a esconder-me da realidade.
- Fictício?

Porquê fictício? Que terá mais peso no que faça e deixe de fazer? Apenas um combate a dois, mano a mano, eu e o meu mundo.
- Um novo herói?
Não, apenas o mesmo de sempre; o anjo, palhaço num modo de perfeito idiota, o pensador, o critico, o destruidor, o salvador... a mais valia de todo o meu pequeno grande mundo.
- Infeliz?
Deveria estar? Não perdi nada, penso eu. Continuo aqui, livre, expontâneo e com boa vontade de estar sentado de costas para o mundo.
- Orgulhosamente só, pelo que vejo.

Nada disso. Não há a necessidade de misturar o Mundo com o “mundo”...
Rapei o cabelo!
- Fizeste bem, é porque assim entendeste fazer.
Exacto! Assim o entendi. O choque é gostoso, o frio que me envolve a cabeça, não depender de agua, pente e gel. Tenho uma cabeça livre!
- Então rapa o coração também.
Não me apetece senti-lo frio. Sempre foi livre e sempre será.
- Mentes com todos os dentes!

Sim, minto. Nem sempre foi livre mas agora é... também as aves voam mas nem sempre voaram.
- Nem tu próprio acreditas no que dizes

Como assim? Que sabes tu para além do que digo?
- Antes de falares ou pensares, sentes. Sei tudo antes de ti.
Não acredito no que dizes. Estarei perante um monólogo? Amigo e confidente fictício?
- Estarei? Estarás?

Continuo sem entender qual é o problema em si. Não compreendo. O meu raciocínio encontra-se fora de mim, perco-me dentro de mim com facilidade.
- Estou aqui

...Sim, eu estou aqui. Continuo sem olhar para o mundo.
- Para quê virar as costas para o próprio brilho, quando o principal problema reside nas agressões externas ao teu mundo e não em ti próprio.
Para quê questionar-me se o problema está lá fora e não em mim?
- Necessidade de mudança meu caro?
Não dependo de nada nem de ninguém para mudar. Mudo conforme as situações e não dependente delas. Tenho mão em mim.
- Definitivamente, orgulhosamente só, pelo que vejo.
Não te repitas... que o seja!! Estou orgulhosamente só.
- Sei disso, porque o necessitas, porque gostas e porque queres.
Acima de tudo porque desejo.

- Será só isso que desejas... não mintas a ti próprio.
Existe desejos, tantos outros que se realizassem ficaria vazio e sem sonhos. Ficaria frustrado por tudo se concretizar. Nunca chegaria a ser o que sou hoje se assim fosse. Não valeria a pena brilhar na mais escura das noites.
- Supernova, deixa que te toquem, há quem mereça.

Mas há quem tenha tocado mas não merecido.
- Deixa, por favor...

Nada mais tenho a dizer. Prefiro o egoísmo e saborear todos os momentos voltado de costas.
- Egoísmo... solidão...

Orgulhosamente só, prefiro assim.
- Não te repitas, por favor.

Não te repitas, não me repito.
- Acreditas em Deus? Quem está acima de ti?

Acredito, se assim não fosse não acreditaria em mim próprio. Eu sou Deus... o meu próprio Deus. Acima de mim não existe mais nada.
- Já agora, também, poderias ser o Pai Natal...

...E também ser a salvação das focas e das baleias em extinção. De boas intenções está o mundo farto, sou humilde e realista.
- Que humildade essa... alguém humilde não diz que o é.

Repito, de boas intenções está o mundo farto... sou humano, logo também, sou hipócrita... queres mais humildade que esta?
- Pronto, és humilde.

De desculpas está o inferno cheio, de boas intenções o mundo farto... está tudo cheio e farto. A saturação chega ao extremo de não nos lembrarmos que temos a capacidade de raciocinar.
- Talvez seja um defeito

Talvez, pensar e sentir seja um defeito.
- Quem sabe...
Pois, quem sabe... um dia...
- Um dia...

6 comentários:

Morgaine disse...

Adorei!!! Olha ele em diálogo com a própria consciência. És realmente surpreendente. Estás a estudar os caminhos que se tecem à tua frente? Aposto que ambos atraem a alma. Estuda-os bem. O esperto escolheo caminho do júbilo; o louco escolhe o caminho do prazer. Ambos estão distantes um do outro e levam a fins diferentes mas apetecem do mesmo modo! Os distraídos e os iludidos não conseguem ver o que fica para além da vida. Sao poucos os que "ouvem" falar no outro mundo, se calhar também são poucos os que o alcançam. Mas se me ensinares algo a respeito dele, és maravilhoso!
Mas... nao pode ser alcançado apenas pelo pensar, tem de haver um superior acima de ti, ao contrario do que dizes, tem de haver algo mais elevado do que os teus próprios pensamentos. Se calhar, como o teu propósito é firme e a tua mente sublime, já o encontraste. Quem sabe? Nesse caso, peço-te que mo ensines.

(adorei mil vezes :) beijo)

Boganga disse...

A essência de ser… no lado inverso da alma.

JRibeiro disse...

so nao te dou um beijo porque porque. nao e preciso dizer mais nada. tu ja sabes ehehe

porta-te mal!

Anónimo disse...

o que acontece quando dois espelhos se olham de frente?

[...]

*

A.

Anónimo disse...

Não consigo falar comigo própria! É o retrato da minha falta de auto-conhecimento.
Não acredito em ninguém! Será consequência de algo?
E o que importa? Nada.

.*.Magia.*. disse...

Sabes, costumo dizer que o meu maior defeito é pensar.
E a minha maior virtude é não pensar ! !
Entre uma coisita e outra fica o sentir...para mim o mais importante quando toca a escolhas e não só!!!!

Adorei a tua conversa interior, quase, quase parecia eu a falar comigo, com algumas diferenças...

Fica um beijelho mervelhinho