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segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Um no outro

Adorno-me com a importância que me dás. Colado na tua memória, à tua pele, chego de mansinho, desprendo todo o desejo que cultivo aqui. Entre a palma da mão e o coração de sentir.


Na minha mão trago mais que desejo. Um pouco de mim, um pouco de ti. Misturados no mesmo recipiente. Esperamos só numa breve pausa de tempo, o suficiente para inspirar. Desenformamos o que de nós misturámos. Ingredientes inextinguíveis, esse teu açúcar, a frutose da tua seiva na minha boca.

Penso que foi num dia assim, semelhante na luz. Sentado ao sol, aquecendo, dilatando o que me corria por dentro. Ideia de te querer, mais até que o próprio querer. No rosto que tens, esboço de sorriso.


Contaste-me um pouco da tua história. Eu fui pintando cada traço de ti, no meu imaginário. Contraste em contraste, encontraste-me. Procuraste e olhaste, a tua vontade era consumir-me, entrar e ficar em ti. Quebra a barreira e vem, chega-te, cola-te. Vem, e faz-me chegar, mais um pouco.

A tua pele, rubra em desejo. Queimo a minha língua em cada parte de ti, morro e renasço a cada instante. No silêncio que escurece o dia, olho-te com a mesma fome. Tomo de assalto o teu umbigo. Espraio por todo o teu corpo, humedecendo cada recanto que existe em ti.


A tua língua que traz à minha, intenções de posse. A tua boca que fala na voz do corpo, este que já nem sei a qual de nós pertence. Desliza bem devagar, ritmado, como o êmbolo que nos faz mexer. Eu em ti, tu em mim. O meu no teu, a tua na minha.

Latejante, palpitando a cada instante, na lúbrica investida. O lençol que enreda e cola. As mãos que agarram e empurram. No gesto cru de agarrar o teu cabelo. Força, dá-me com força. A voz não controlada, na escalada em devaneio, no culminar em êxtase.


O dia que finalmente morre sobre os corpos, cobertos pela quietude que a noite traz em si. Beijamos o único sentido que existe, nós. Na voz quente, encostado ao teu ouvido, provocando pequenos espasmos. Continuando a mesma linha a fio de amor, que nos une. A paixão desmesurada de viver, prosseguindo, um no outro.


Continuamos…


13 comentários:

Boganga disse...

Amar-te,
assim sem perda de tempo,
por todos os meus sentidos...
até que a noite dê lugar ao dia!

Anónimo disse...

fico a aguardar pela continuação. =D o texto está muito bem acompanhado quer pelas imagens, quer pela música.

boa semana!

A.*

r. disse...

consegues tocar com as palavras

Aran disse...

Cristo!!!! Que quadro!!!! Uma tela pintada em vocábulos, e escrito maravilhosamente... e para ser sincera as imagens apenas as enfeitam... porque nesta tua escrita, pessoalmente acho que até poderiam estar ausentes... resta-me agora aguardar... pela continuação(ou talvez não)... ;) beijinhos e inté

Francieli Rebelatto disse...

Que bom que continuam, quem bom que continuas com tuas palavras quentes, envolventes, que retrata tantos momentos de nossas vidas que se não fossem tão bem descritas e sentidas somente passariam.

Mas, você tem a capacidade de eternizar tais sentimentos, como únicos, como se todos os vivessemos neste mesmo instante...Envolve, apaixona, seduz...E mais nada..e precisa mais???

Beijos e cuide-se...

Ana Luar disse...

Ui... que arrepio!
Continuamos?.... e duvidas??????

:)

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**
Aguardo.......................................................................

.*.Magia.*. disse...

Mervelho...
Consumiste todas as palavras o que eu podia deixar espalhadas por aqui...
(...)
Continua...

Emocionaste-me, sei lá!

Fui... (saio profundamente desconcertada...)

Cheers

A. disse...

...feliz.que assim se deixem ficar.
continuando...

Dragonfly disse...

A inveja é uma coisa feia... mas só se pode invejar alguem como tu! Continua meu lindo!!!

Anónimo disse...

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Eugénio de Andrade



Que sejas sempre perene.
*

Viola De Lesseps disse...

.......................
.......................
deliciada..............
.......................
arrepidada.............
.......................
sem palavras...........

CONTINUA!

Beijos Grandes

Viola L.
xx

Thiago Forrest Gump disse...

Haja fôlego!

Não há frieza que resista!



Belo post!

Morgaine disse...

como é que eu não li este.. senti-me estranha sabes, senti-me uma "voyeur" numa determinada parte do texto. Caramba que filme... nem te digo, Está bem contado demais!