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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

|V|a|m|o|s|

Abandonar, em cinzel que marca
Socorrer, em palmo gigante de mão
Cuspir, toda aquela porcaria que enoja
Bater, no que pretende não quebrar

Vamos, seguir em raciocínio claro
Espirrar, em sintonia com o que nos afecta
Infectar, injectar, inalando até adormecer
Vamos, em plural singularidade, de mão dada


Curtir, no som que provocamos na cama
Explorar, mais aquele recanto que se apresenta só
Vamos, espiolhar, desavergonhados, marcando a pele
Devastados, pelo suor que nos cola até aos sentidos

Vamos, nascer com o sol, aquele café... aquele...
Apetece-me ir, vir e voltar a ir, vir e voltar...
Tactear, de olhos vendados em escuro silêncio
Diz-me, viva voz que me orienta no dizer - Vamos!

Derrotar, no naufrágio, somos monstros redentores
Tresloucados, no papel de infames possessos
Exercer, aquela gostosa pressão no teu abdómen
Querer, arrancar-te das folhas sem te morder


Vamos, saber voar mais no sonho
Adornar, em papel de parede com relevo
Juntar, luz em lucerna prata
Quebrar, alma em jejum do teu cheiro

Vamos, vamos indo, andando
Pegadas, as nossas, de paixão que nos assola
Assalta o cofre, sarcófago de males deste bom malandro
Respirar, histórias segredadas, daquelas que sou


Tu, vem, sabes como me ouvir, vamos
Teu, o lugar, cultivo raízes em força que sinto
Eu, masco pastilha do teu sabor
Vá, vamos criar um canto em escuro recatado

Acredita, na força que segura o céu
Confere, a oportunidade para que brilhem as estrelas
Transporta, o desejo na ponta dos teus dedos à minha boca
Gasta, a língua que te guardo, a saliva que te destino


Vamos, enlouqueçamos no gozo, em absinto sentimento
Ébrio, esgotar a secura de não te beijar
Conta, as risadas em culpas menores e autos de fé
Jura, em irónica e casta promessa, tentando-me de novo

Vamos, não me obrigues a parar na tua via
Atropela-me, na explosão de me apertares com força
Erotiza, acende-me o cigarro e fuma de mim
Beija, ao meu ouvido, cada palavra traz o teu nome

Única, vivendo-te, toda dentro de mim
Pessoal, individual, secreta alma que tudo quer de ti
Vamos, chamando por cada alegria que me ocorre
Chove, os versos que escorrem em toda a face que temos


Aguça, o sentido em cores maiores com que me pintas
Maestra, saberei cantar-te melhor em silêncio
Apanha, ata-me pulsos ao teu peito, aperta-me mais
Vamos, vou roer a corda, rasgar-te toda em frágil papel

Pensar-te, mulher que estás em mim
Pisar-te, leito que faço de ti, pesar-te em delírio
Amar, sem parar de te viver, em cada espaço ou linha
Vamos, espera-nos o mais além, de quem te quer mais que querer

7 comentários:

Boganga disse...

Eu vou...contigo, sempre!

Anónimo disse...

grande atropelo de palavras...

acho que vou para dentro do sarcófago! ;)

adorei as fotografias!!

küss

A.

A estranha disse...

São belas estas palavras... Como um rio que corre... para o Mar!

Beijos

0.0 disse...

Bom, tiro o chapéu...
muito empolgante!

Morgaine disse...

"É asim que nasce a poesia. Vem das alturas invisiveis, é secreta e escura nas suas origens, solitária e fragante e,como o rio, dissolve tudo o que cai na sua corrente, busca caminho entre os montes e sacode o seu canto cristalino nas pradarias"
(Pablo Neruda)

Aran disse...

Gostei... da força da escrita, do sentimento que dela emana... da tão propria e banal caracteristica... a sua urgência... da qual finalizas com a mais castas intenções... ;) Bjoka e inté

A. disse...

«...e aquele pensamento d'ir e voltar sempre que há na maresia
fez subir da água, dessa água toda, cem mil caravelas

era mais que o mar mais que a vida toda
quem aqui fervia.»








...sem palavras.minhas.
hoje.num silêncio que me embala.


que se foda sim___M.___________.










(...que forte.bravo.)