...

...

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Treze, sou eu.

Espero ser breve, porque enoja-me escrever. Hoje quero aproveitar o que me foi dado a sentir, até ao limite de querer adormecer, até que morra, aqui dentro, no que me corrói.
Escolho os caminhos solitários, até chegar a uma mesa isolada, num café abandonado. Quando não se quer, evita-se. Está longe de mim admitir ser uma espécie de hipocondríaco sentimental. Admito sim, ser adicto desta estranha, por vezes tenebrosa, vontade de sentir.
Esta noite vou tomar de assalto, pilhar e destruir tudo o que não me interesse. Necessito a derrota. Todas as horas e em todos os momentos cruciais, resolvi-me, aqui... sempre dentro de mim.
Renuncio ao altruísmo, rasgo qualquer hipótese de atapetar a veludo, tudo o que me corra na veia. Hoje, nada me importa, nada me impede de ficar indiferente.
Repito-me, sem conseguir captar um pouco que seja, desta esplendorosa dádiva de mau estar. São nódoas que se acumulam, espelhos que não reflectem a imagem guardada. Exaspero em sentido, déspota que estou, na minha redoma. Sou intocável, impenetrável, alienado porque tudo já não sou.
Não pretendo concluir, muio menos acabar as ideias. Terminante, sinto-me sujo em ira. Consumido em demais frases, escorrendo no negro sangue da tinta.
Nada conseguirá surpreender-me. Nada brilha no escuro em que me pinto. Tingido, espero desbotar-me à chama inquisidora do engano. Dançarei na minha vaidade, orgulhosamente só.
Hoje, o mundo causa-me impressão. Esta impressão nas entranhas, quase ao ponto de me provocar convulsões, em sangue que já não quero. Hoje, cuspo na face que conservo, festejando em muito mau sentir. Haja saúde, para tudo o que se preserva intocável, deste primitivo desalinhado.
Dou-me ao luxo de até ser desnecessário movimentar-me. O Mal, esse meu comparsa “fiel y muy nobre aliado”, dedicado nestas horas. São dias que se sedimentam na minha alegria. Porquê? Porque sou invencível. As amputações e demais estropiações, apenas marcas de caminho.
Não me importo, já não, de premonições claustrofóbicas. Este coração que só eu sei como é. Serei mais devoto, dos azares e vicissitudes, porque me expandem.
E cada vez mais alto e disperso, de um infinito a outro, entendo que conto apenas comigo. Voltarei atrás, compenetrado em toda a área que só a mim me pertence. Este espaço, o meu corpo, em alma que materializo, é só meu.
Ouso a digerir mais fel, a drogar-me no ódio, mesmo sendo demasiado fraco. Pago o meu preço, viver.
Quando chegar a noite, irei abandonar-me ao desconhecido. Lá, apenas no espaço sem formas, reconheço o rosto que sou todos os dias.
Um dia contemplativo da marca que me deixa. O “treze” irei guardá-lo, cravá-lo até que a dor não seja mais que isso, apenas dor. Não permitirei a partilha, a exclusividade de nascer e morrer em mim... é minha.
Brindo a ti, meu amor, porque em muito me subestimas.

9 comentários:

Cátia disse...

Voltei ao teu cantinho... E voltei a gostar imenso!

Gosta da forma como escreves, como fazes as descrições...

Houve uma altura da minha joventude que escrevia pequenos contos... Enquanto lia relembrei-me deles. Nessa altura eu gostava de escrever assim, de forma intensa como escreves... mas que presunção a minha!! Peço desculpa, mas fizeste-me lembrar de como é bom escrever... Obrigada por isso.

Beijinhos Catia
(Ticho)

nena disse...

não fiques assim,..vou ficar igual..

rodopiando á toa
junto aos patos na lagoa,
grasno de espanto
de tanta fartura
pois o milho é tanto
descascado de encanto
branqueado de amargura.

Maria disse...

um beijo mervelho....

Boganga disse...

Crio emoções, sobre aquilo que me dilacera.
Armadilha inequívoca do sentir,
em estranho jogo de memória.
Derramo sobre o papel o que sangro,
em escrita magoada...

No fim, só persiste uma certeza: amo!

Maria disse...

que tipo de lampada és tu? seras do tipo flurescente ou incandescente?

;)

CD disse...

não pude deixar de perceber uma certa ironia final, própria de quem ama e foi subestimado pelo objecto da sua paixão. agrada-me bastante.

vou-me, de taça erguida.

bisou*

.*.Magia.*. disse...

Incandesceu-me um lado irónico e avesso ao ler-te...

...senti e ousei absorvê-la para mim...essa ironia sagaz que tanto prazer dá e nos extasia a parede das veias...apetece sentir o sangue correr ao contrário...!!!!

;) Há dias assim...antónimos...

A estranha disse...

Como me identifiquei a estas tuas palavras... Deste voz a uma parte de mim!

Obrigada,

Beijos

A. disse...

my love speaks softly, and knows there's no success
like failure and that failure's no success at all.







...e que treze é este que tanto dói _M_______?



nem sub.nem sobr.
apenas estimo.e muito.

um beijo.