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quinta-feira, 1 de agosto de 2013

pro|lixa

De cada palavra estendida, existe uma letra que se desajusta. Impelida por uma força maior à sua vontade, por fim, vale-se de uma mudez intransmutável. Será este o último reduto de uma vontade, exasperada, inconformista, em carência de léxicos e lugares comuns. Será a solidão uma coisa tingida de estranheza, adjectivada num tom submisso e derrotista. Será uma transgressão, uma causa perdida vê-la definhar ao longo da frase, sem que morra no fim e nem exista no princípio.

Sem espaço entre semelhantes, diz-se homófona de si mesma. Pendida em carência, calada a tanto custo, é sofrer-se de já nem lhe restar linhas por onde existir. Fecha-se assim, entre frases disparadas sem conexão, como gotas em vidro baço. Vetusta, queda-se na inoperância de uma garganta embargada, nas cordas vocais afónicas de se dizer. Desarticulada, sem ortografia, sentida, demasiado aguda para que se faça entender, a letra diz-se morta para qualquer verbo ou canção.

De cada vez estendida, existiria outra letra imbuída na sua estória, não fosse a maldade de não saber falar.

4 comentários:

farfalla disse...

Que saudades de te ler :) Continuas como sempre.

Baci*

A Minha Essência disse...

Sempre magnífico com os seus devaneios.

P.S.- Boas festas. :)

Táxi Pluvioso disse...

Venho desejar um BOM NATAL

Jessica Fino disse...

Olá olá! Ora bem, tentei fazer algum stalking no Facebook mas para não fazer figura de parva e mandar mensagem para o sítio errado, decidi por fim escrever aqui. Já não escreves aqui nada há mais de um ano, mas espero que recebas esta mensagem.
Demorei a escrever-te de volta porque assim que recebi o teu postal fui logo para Portugal passar o Natal e Ano Novo.
Quero dizer que adorei o teu postal, mesmo mesmo a sério. Nem sabes o quanto amei a foto que me mandaste. Escrevia eu no outro dia algures, que o que mais sinto falta aqui em Londres é de um céu estrelado. Este nevoeiro e esta poluição não dão oportunidade às estrelas brilharem, por isso sinto sempre uma nostalgia enorme. Já tenho a foto na parede do meu quarto e agora olho para ela e imagino-me ali. Como ves, o teu simples ato teve ainda mais significado do que poderias esperar. Desculpa lá ter-te calhado enviar carta para o estrangeiro, já agora.
Resta desejar-te um excelente ano.
Beijo,
Jessica Fino