"Não és a primeira, mas és a minha mulher."
Vendedor de Sonhos
terça-feira, 13 de julho de 2010
terça-feira, 6 de julho de 2010
n o v o
Sentei-me de novo, e de novo senti-me. Novo, senti-me pendurado por ténues linhas, suspendi qualquer arremesso contra a pedra. De novo, sento-me para sentir que rejuvenesço nas linhas cegas. De costas voltadas para o sol, embruteço a sombra disforme. De negro, grafitado coração, quanto o quero guardado a pulso cerrado. Senti-me novo, no velho corpo.
Não és minha, de parte incerta e perdida. Esquecer-me, oferecendo a ofensa, perdurando um beijo que nem o foi. Sinto tanto, sinto muito, mas se nem ao lamento me dou, sem a entrega aprender ,de uma vez por todas, que os gestos são meros acasos. Movimentos fortuitos, deslizantes por esta pele que me queima na alma.
Uma palidez enjeitada, para dentro. Emoções diluídas a aguarela. Do brilho, um resquício nos olhos. Porque sobreviver não é mais que o arrevesso de um passeio bucólido ao Domingo, de roupas de linho e cheiro a sabonete. É uma mágoa proveniente de uma profundidade quase esquecida, deste Oriente do meu coração, em especiarias e aromas fechados, lentamente revelando-se à superfície da pele. Por aqui, por ali, como salitre numa parede. Insistente.
Sentindo de novo, como sentar-me e cruzar a perna, arrepanhar o cabelo, desgrenhando este respirar que ainda te faz tão presente. Não quero que me queiras, ou sequer me penses. Que exista entre as pedras, como musgo que foge da luz, um perfilar de intenções que não passaram daí. Não me ornamentes, crava-me antes em estacas tuas palavras, em rugiente espécie de encantamento. De sabor metálico, decoro-te neste estertor de pesar em hulha consumada, vendo a morte na única desonra deste ensamblador homem de ineptos costumes.
Acostumado estava, sentia-me. Agora, sou de novo, um mesmo sentir. Não me dando a más memórias, são estes afazeres desalinhados com os planetas e mais essas coisas de alinhamentos. Que me importa, quando tenho o céu estrelado para dançar, e tão longe as estrelas estão, e no entanto, sempre presentes.
Passo dado de lampejo, medulante, neste apoio dado ao aproximar a boca da razão. Espantem-se as criaturas, os bichos e as coisas, que redefino esta marginalidade do me fazer convexo, avesso à medida. Não caibo, e de encaixar esqueci-me. Sinto o novo, no velho meliante poeta vão de escadas.
Então vá, que me enternece o lugar comum, codificado está tudo o que me passe da estagnação à desenvoltura de me sentir novo, de novo. Sinto um desprazer agudo por esta madrugada, corrompida, alheando-me do sono e colando este cansaço aos ossos. Vá, como quem manda no mundo e se repete. Vá, agora que sou dicromático de geração nada espontânea, mando parar a mão que escreve, para que a mente se atulhe neste sentir. Novamente na lassa conclusão, sinto-me nada de novo, sentindo-me novo.
As histórias de amor são bonitas. As histórias somente.
Não és minha, de parte incerta e perdida. Esquecer-me, oferecendo a ofensa, perdurando um beijo que nem o foi. Sinto tanto, sinto muito, mas se nem ao lamento me dou, sem a entrega aprender ,de uma vez por todas, que os gestos são meros acasos. Movimentos fortuitos, deslizantes por esta pele que me queima na alma.
Uma palidez enjeitada, para dentro. Emoções diluídas a aguarela. Do brilho, um resquício nos olhos. Porque sobreviver não é mais que o arrevesso de um passeio bucólido ao Domingo, de roupas de linho e cheiro a sabonete. É uma mágoa proveniente de uma profundidade quase esquecida, deste Oriente do meu coração, em especiarias e aromas fechados, lentamente revelando-se à superfície da pele. Por aqui, por ali, como salitre numa parede. Insistente.
Sentindo de novo, como sentar-me e cruzar a perna, arrepanhar o cabelo, desgrenhando este respirar que ainda te faz tão presente. Não quero que me queiras, ou sequer me penses. Que exista entre as pedras, como musgo que foge da luz, um perfilar de intenções que não passaram daí. Não me ornamentes, crava-me antes em estacas tuas palavras, em rugiente espécie de encantamento. De sabor metálico, decoro-te neste estertor de pesar em hulha consumada, vendo a morte na única desonra deste ensamblador homem de ineptos costumes.
Acostumado estava, sentia-me. Agora, sou de novo, um mesmo sentir. Não me dando a más memórias, são estes afazeres desalinhados com os planetas e mais essas coisas de alinhamentos. Que me importa, quando tenho o céu estrelado para dançar, e tão longe as estrelas estão, e no entanto, sempre presentes.
Passo dado de lampejo, medulante, neste apoio dado ao aproximar a boca da razão. Espantem-se as criaturas, os bichos e as coisas, que redefino esta marginalidade do me fazer convexo, avesso à medida. Não caibo, e de encaixar esqueci-me. Sinto o novo, no velho meliante poeta vão de escadas.
Então vá, que me enternece o lugar comum, codificado está tudo o que me passe da estagnação à desenvoltura de me sentir novo, de novo. Sinto um desprazer agudo por esta madrugada, corrompida, alheando-me do sono e colando este cansaço aos ossos. Vá, como quem manda no mundo e se repete. Vá, agora que sou dicromático de geração nada espontânea, mando parar a mão que escreve, para que a mente se atulhe neste sentir. Novamente na lassa conclusão, sinto-me nada de novo, sentindo-me novo.
As histórias de amor são bonitas. As histórias somente.
domingo, 4 de julho de 2010
r e v e r s í v e i s
Saí, ainda molhada das palavras que me deste à tona dos sentidos. Desci, desci por ti como saliva em corpo quente. Não te estranho, que nas minhas entranhas engendro querer-te colar. Enrolar-te enquanto me solto. Sinto esta crescente vontade de tomar-te o peso. Bruto, seco, essa língua lesta, segura, que dura e é dura no insistente movimento.
Vais e vens, descendo por aqui. Gelado, quero-te quente, espesso, pesado e preciso. Rachar ao meio onde ateias fogo, aqui, nesta chama. Inflama-me entre paredes, nas minhas. Volátil, queimar-te em suor, engolir enquanto me tragas. Pequeno alambique, destilando a pele na boca. Dos lábios aos lábios. Ao que é teu e me fica em sabor na língua. Ferida, ata-me o desejo de me debater, adornar-me à tua vontade.
Que mais queres? Diz-me assim, por aqui. Faz-te mais perto, aqui, bem mais fundo que imaginas. Maceramos o corpo, iluminamos a noite, desgarrado gemido na ausência das inúteis palavras. Essa soberba cravada entre pernas. Descai por mim, em mim, para ti. Gotejante alegoria nos dedos molhados, escarchados. És veneno da minha carne, trespassa-me na alma.
Dá-me. Faz-te coeso, tenso, de olhos concentrados na perdição. Cremoso, fluindo, sentir-te pulsar dentro de mim. Gosto disso, quando rodopias, circundas, cercas-me e impeles o sufoco até à garganta, bem fundo, bramindo por mais, chamar por ti, que me leves até onde a dor termina.
Nevrálgica, neste último e precioso reduto, colérica vontade adensada em cada músculo, só um pouco mais de fôlego para que termine. Neste derramar desprovido de simetrias, lambe agora toda a vontade condensada, liquefeita entre nós.
Saí, desesperada, por este corpo que morre e emerge entre as palavras. Inúteis.
Vais e vens, descendo por aqui. Gelado, quero-te quente, espesso, pesado e preciso. Rachar ao meio onde ateias fogo, aqui, nesta chama. Inflama-me entre paredes, nas minhas. Volátil, queimar-te em suor, engolir enquanto me tragas. Pequeno alambique, destilando a pele na boca. Dos lábios aos lábios. Ao que é teu e me fica em sabor na língua. Ferida, ata-me o desejo de me debater, adornar-me à tua vontade.
Que mais queres? Diz-me assim, por aqui. Faz-te mais perto, aqui, bem mais fundo que imaginas. Maceramos o corpo, iluminamos a noite, desgarrado gemido na ausência das inúteis palavras. Essa soberba cravada entre pernas. Descai por mim, em mim, para ti. Gotejante alegoria nos dedos molhados, escarchados. És veneno da minha carne, trespassa-me na alma.
Dá-me. Faz-te coeso, tenso, de olhos concentrados na perdição. Cremoso, fluindo, sentir-te pulsar dentro de mim. Gosto disso, quando rodopias, circundas, cercas-me e impeles o sufoco até à garganta, bem fundo, bramindo por mais, chamar por ti, que me leves até onde a dor termina.
Nevrálgica, neste último e precioso reduto, colérica vontade adensada em cada músculo, só um pouco mais de fôlego para que termine. Neste derramar desprovido de simetrias, lambe agora toda a vontade condensada, liquefeita entre nós.
Saí, desesperada, por este corpo que morre e emerge entre as palavras. Inúteis.
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