Faz-se depressa. Bem preciso, assim como o dia, sem curas prometidas. Em suma, foi considerada a hipótese de que a perfeição é possível. Aprumadinho e cheiroso, com ar de quem tem um destino a entregar a mãos que lhe são alheias.
Leva a carta no alforge, onde alberga tanta história, mais que as contadas por travessas e postigos mal fechados. São olhos que escutam, palavras gritam nos gestos. Por todas as cidades que o esperam, as mesmas conhecidas de outras paragens. Pensou a saudade pertencer apenas a quem se lamenta em melodias. A todos os caminhos, apressa-se a levar complacência sem despedidas que o agarrem.
A notícia tardava. Naquele nervosismo delicado, deixava embeber-se por entre venenos e paredes que a cegam de horizontes. Os remédios, inócuos, transfiguram-lhe toda a sua candura tecida a ouro.
Nem que a brisa se faça sentir, o odor conhecido da outra pele continua tão longe. Espera pelo momento em que se torne rubra em suores de alegria do regresso, calando todos os momentos de solidão. Aquele toque…
Nada. Morria-lhe aos poucos uma ruga de espera, na sua fina loiça. O seu rosto tremia.
As suas mãos rudes como a terra lavrada, eram rédeas que cresciam, traçando rotas desconhecidas aos mapas. Estratégicas alianças, aos destinos que não lhe pertencem. Deve em maior fortuna o do nome que carrega, a graça da sua corrida.
Leva-te. Eleva-te mais para além do sol. Nunca saibas de que se serve o pesado sentido da saudade.
Doces lábios roçando no cristal. A sua boca coberta de vinho que lhe sangra da alma. Em espera interminável, sem encerrar o pulsar desmedido do coração entre os seus dedos. Encarcera o seu tumultuo por entre os ossos. A sua lividez, naqueles olhos de espanto, da cor com que se vê no mundo, a mesma sentida no seu coração.
Longa como uma serpente, o seu medo de enfrentar mais uma noite, a sós, sem as mãos que lhe dão vida. Tanta estranheza paira para lá das cortinas. O magnifico, escondido algures para lá da mesma porta que deseja ver abrir-se.
Alinhavada, mesmo com as certezas que a noite viria louca e fria. O homem não regressa, como tantos outros sem retorno. Louca, despida, de tão fria lhe dizia a morte das suas certezas. Entre as suas linhas e o fio da lamparina, espera no pranto de esquecida. Olhando para lá da vidraça, para além do escuro e turvo calar encostado à sua vivência.
Concentra-se de novo no fuzil ao seu peito, nas sombras trémulas das suas dúvidas. Incertezas essas que a calam, envolvendo-a devagar no sonho. Suspira em segredo, como um peso libertando-se da alma.
Belezas caladas, descalças na terra batida, pisada e vazia. Acorrem-lhe momentâneos espaços verdes entre os pensamentos. O vento frio corta-o em lascas, lâminas do sopro gélido. Calcam as costelas no estômago vazio. Alimenta-se da própria alma, sem o arnês das incertas questões julgadas, finadas, finitas, tomadas.
Como poderá medir-se a velocidade da dor, sem que haja comprimento suficiente para se escrever o Amor. Como haverá maior destreza, se nada existe nos constantes vazios da ausência. Como se fará, num solfejo, enganar-se as horas na esperança carregada a mil artifícios.
As margens separam-na da resposta. Falha. Apaga-se.
A espera termina no mesmo ermo do último adeus, o primeiro de todo o sempre. No fim da terra, na madrugada já desperta, sozinha e confinada ao amanhecer. O mensageiro segue pelo rude caminho de escarpas e armadilhas. Os seus destinos esperam-no. Faz-se depressa. Bem preciso, assim como o nascer do dia, sem curas prometidas.
Leva a carta no alforge, onde alberga tanta história, mais que as contadas por travessas e postigos mal fechados. São olhos que escutam, palavras gritam nos gestos. Por todas as cidades que o esperam, as mesmas conhecidas de outras paragens. Pensou a saudade pertencer apenas a quem se lamenta em melodias. A todos os caminhos, apressa-se a levar complacência sem despedidas que o agarrem.
A notícia tardava. Naquele nervosismo delicado, deixava embeber-se por entre venenos e paredes que a cegam de horizontes. Os remédios, inócuos, transfiguram-lhe toda a sua candura tecida a ouro.
Nem que a brisa se faça sentir, o odor conhecido da outra pele continua tão longe. Espera pelo momento em que se torne rubra em suores de alegria do regresso, calando todos os momentos de solidão. Aquele toque…
Nada. Morria-lhe aos poucos uma ruga de espera, na sua fina loiça. O seu rosto tremia.
As suas mãos rudes como a terra lavrada, eram rédeas que cresciam, traçando rotas desconhecidas aos mapas. Estratégicas alianças, aos destinos que não lhe pertencem. Deve em maior fortuna o do nome que carrega, a graça da sua corrida.
Leva-te. Eleva-te mais para além do sol. Nunca saibas de que se serve o pesado sentido da saudade.
Doces lábios roçando no cristal. A sua boca coberta de vinho que lhe sangra da alma. Em espera interminável, sem encerrar o pulsar desmedido do coração entre os seus dedos. Encarcera o seu tumultuo por entre os ossos. A sua lividez, naqueles olhos de espanto, da cor com que se vê no mundo, a mesma sentida no seu coração.
Longa como uma serpente, o seu medo de enfrentar mais uma noite, a sós, sem as mãos que lhe dão vida. Tanta estranheza paira para lá das cortinas. O magnifico, escondido algures para lá da mesma porta que deseja ver abrir-se.
Alinhavada, mesmo com as certezas que a noite viria louca e fria. O homem não regressa, como tantos outros sem retorno. Louca, despida, de tão fria lhe dizia a morte das suas certezas. Entre as suas linhas e o fio da lamparina, espera no pranto de esquecida. Olhando para lá da vidraça, para além do escuro e turvo calar encostado à sua vivência.
Concentra-se de novo no fuzil ao seu peito, nas sombras trémulas das suas dúvidas. Incertezas essas que a calam, envolvendo-a devagar no sonho. Suspira em segredo, como um peso libertando-se da alma.
Belezas caladas, descalças na terra batida, pisada e vazia. Acorrem-lhe momentâneos espaços verdes entre os pensamentos. O vento frio corta-o em lascas, lâminas do sopro gélido. Calcam as costelas no estômago vazio. Alimenta-se da própria alma, sem o arnês das incertas questões julgadas, finadas, finitas, tomadas.
Como poderá medir-se a velocidade da dor, sem que haja comprimento suficiente para se escrever o Amor. Como haverá maior destreza, se nada existe nos constantes vazios da ausência. Como se fará, num solfejo, enganar-se as horas na esperança carregada a mil artifícios.
As margens separam-na da resposta. Falha. Apaga-se.
A espera termina no mesmo ermo do último adeus, o primeiro de todo o sempre. No fim da terra, na madrugada já desperta, sozinha e confinada ao amanhecer. O mensageiro segue pelo rude caminho de escarpas e armadilhas. Os seus destinos esperam-no. Faz-se depressa. Bem preciso, assim como o nascer do dia, sem curas prometidas.
Não existe cura para o Adeus...