Espinho meu, espinho meu
que me picas em ardor que não vejo
tanto sabor, guardado no copo
rasgo o tecido, na roupa que guardas
Teu cálice tomo por sagrado
liquido que me tolhe a fala
entorpecida escrita por desejo
espinho bravo, em botão de rosa
No abraço que tens
igual ao que se oferece
já nem me lembro de esquecer
tudo o que nem fui
Bradada será a voz da agrura
desbotada ao tempo que a fez
na minha tez, a secura de não beber
espesso sangue, tinta de viver
Espanto meu, que nem palavras bastam
espelho meu, espelho meu
espinho sou eu, e nem vejo quem sou
porque já não vou, fico-me no beber
Abraçar, liquefeito é o sentido
das palavras enegrecidas na vontade
espinho meu, espinho meu
sem rosto que tenho no fundo do copo
Soluço desfeito, à tua fonte desço
em espera dissoluta, absoluta envoltura
as curvas que inventas, na visão espinhosa
de tanto beber-te, nem veneno me vale
Assobio, rodopiando nas garras do sentimento
chega-me em bom tempo, com perfume em frescura
será chamar-te em tão bom nome, tecer-te
a teia, ladainhas de amor, brancura que me purga
Espinho meu, espinho meu
flor que te colho, espetando no coração
a dor de te amar, vestir-me de ti
espinho meu, crava-me em mais doer.
quarta-feira, 28 de março de 2007
sábado, 24 de março de 2007
Sim!
Quero olhar-te
Ver-te mais além do que vejo
Sem que te veja na ausência
Sem que me veja sem ti
Olhar-te, talvez ver-te
Sem horizonte que limite
Sem tirar-te de onde estás
Olho-te nos olhos que me deste
Olhos nos olhos
Ombro teu, encosta no meu
E vermos todo um mundo
Toda uma vida a ser vista
Mirar-te, rever como me olhas
Conservar a visão de te encontrar
Entre a ternura do teu olhar
E no meu, amar-te.
E és linda…
imagem: Marco Neves
http://lampadamervelha.livejournal.com
http://lampadamervelha.livejournal.com
quinta-feira, 15 de março de 2007
Então começa assim...
Fracturei ossos e dentes, em acidente pensados, premeditados. Provoquei danos, distúrbios, hordas sem nome, com uma nova mensagem nas mentes formatadas. Deformei espelhos e paixões, alterados na minha visão facciosa. Bebi tonéis de más intenções. Indefesas alminhas dançantes, sem dar possibilidade a uma consciência pura, que só por uma única vez me tomou a acção, a primeira.
Fui planeta mais que longínquo, sem nome, sem ter sido catalogado por um idiota qualquer. Quis ser estrada, interminável, no deserto que se vive em aprazível dia de desolação. Fui assim, secura de tempo, terra estéril, penedo isolado. Salgado fui eu, em sabor tão intenso, que amargava todas as línguas que me falassem.
Tanto fui que nem vilão sou mais. Fui até bom rapaz, paciente e observador. Hoje embebedo-me por ser feliz na minha razão, aquela que habita num maluquinho de rua. Pois bem, que mais poderei inventar aqui dentro, nesta cabeça que não sabe parar.
Oh, amor que não vês, sente a própria cegueira no caminho a percorrer. Oh, sangue que nada estanca, talvez a boca que me foge para o lado mais incerto, seja a resposta para a despida alma, da mesma forma como giz em parede rugosa.
Fundei um pais, mundo oculto, cultivado a meu prazer. Fiz sementeiras, nestes dedos que me escrevem a cada linha, completo-me aqui. O Mal, todo o que vive para além de mim, provoca-me a ânsia de nada mais saber. Sem querer, as pessoas enojam-me... e mais... e muito mais. Vou correr, nu, disposto a não parar. Derreto milhas, excomungo os meus princípios, os mesmos que se enrolam aos pés e me fazem cair. Vá, vou comportar-me, a aparência que se constrói, a estátua oca e carcomida, com direito a hino pessoal. A consternação em desacerto, desconsertado, foragido da lei vigente.
Não sei falar de mim, sem que aperte os dedos conta o pescoço. Sei-me tão bem que poderia fechar os olhos e continuar a falar de nada. Nada me supera, nem espero o que se espera. Nada é mais importante que os lugares onde já não estou. Não canto, nem descanso. Não vou dar mão de mim.
Minto, minto muito. É feio. Ai, que malandrice pegada, que bom! Vou continuar a limar fora das arestas, tornar-me mais anguloso. Tão cortante serei, até que mate o vento por completo.
Cuspo para o chão, sem pudor pela bucólica tarde. Obscuro, irei a encontros na mata, amante de mil amantes, sou eu todos e todas. Serei surdo para a melhor melodia, sem melhoras da febre que me faz viver. Afogar-me no ar que respire, inventar mais doenças para o Bem. A felicidade é vaga maré, finita. Morre onde começa a terra, morre na praia.
Arder, é bom ser-se comburente quando o combustível é escrever. Insónia, é melhor quando a seguir se sabe que não haverá tempo para dormir.
Quero droga. Quero mais do mesmo. Ser servido por subserviente desejo, de me encerrar no mais másculo pensamento. Ser invencível, o melhor, o bom que existe. Um chuto no vazio, no dia que já mostra cara do que será. Tomarei vinte e quatro, horas que são minutos de pensar no mesmo. É terrível articular-me sempre no mesmo sentido, o que não vem nos relógios. É difícil vestir a pele que tenho por dentro, roupa insuficiente para tapar o mínimo necessário.
Espero à esquina, pelo cliente que sou de mim, desejoso em lacunas sentimentais. Deteriorar-me na entrega, em troca de umas moedas. Olho-me nos olhos, faço-o comigo. Com força. Dói-me. Rasga-me. De tudo o que fica naquela cama, uma beata mal fumada, jaz no ventre criador de mim. Corto-me em finos fiapos, pesado a ouro, tingido a negro.
Voltarei para casa, deitando-me ao meu lado, no silêncio do que já não me une. Escondo o perfume barato, o suor que evapora a união das minhas faces. Nem uma palavra, nada do que já esteja gasto. Costas com costas, estas que tenho, para quem sou. Ao acordar, fintando-me ao espelho, direi novamente...
Fui planeta mais que longínquo, sem nome, sem ter sido catalogado por um idiota qualquer. Quis ser estrada, interminável, no deserto que se vive em aprazível dia de desolação. Fui assim, secura de tempo, terra estéril, penedo isolado. Salgado fui eu, em sabor tão intenso, que amargava todas as línguas que me falassem.
Tanto fui que nem vilão sou mais. Fui até bom rapaz, paciente e observador. Hoje embebedo-me por ser feliz na minha razão, aquela que habita num maluquinho de rua. Pois bem, que mais poderei inventar aqui dentro, nesta cabeça que não sabe parar.
Oh, amor que não vês, sente a própria cegueira no caminho a percorrer. Oh, sangue que nada estanca, talvez a boca que me foge para o lado mais incerto, seja a resposta para a despida alma, da mesma forma como giz em parede rugosa.
Fundei um pais, mundo oculto, cultivado a meu prazer. Fiz sementeiras, nestes dedos que me escrevem a cada linha, completo-me aqui. O Mal, todo o que vive para além de mim, provoca-me a ânsia de nada mais saber. Sem querer, as pessoas enojam-me... e mais... e muito mais. Vou correr, nu, disposto a não parar. Derreto milhas, excomungo os meus princípios, os mesmos que se enrolam aos pés e me fazem cair. Vá, vou comportar-me, a aparência que se constrói, a estátua oca e carcomida, com direito a hino pessoal. A consternação em desacerto, desconsertado, foragido da lei vigente.
Não sei falar de mim, sem que aperte os dedos conta o pescoço. Sei-me tão bem que poderia fechar os olhos e continuar a falar de nada. Nada me supera, nem espero o que se espera. Nada é mais importante que os lugares onde já não estou. Não canto, nem descanso. Não vou dar mão de mim.
Minto, minto muito. É feio. Ai, que malandrice pegada, que bom! Vou continuar a limar fora das arestas, tornar-me mais anguloso. Tão cortante serei, até que mate o vento por completo.
Cuspo para o chão, sem pudor pela bucólica tarde. Obscuro, irei a encontros na mata, amante de mil amantes, sou eu todos e todas. Serei surdo para a melhor melodia, sem melhoras da febre que me faz viver. Afogar-me no ar que respire, inventar mais doenças para o Bem. A felicidade é vaga maré, finita. Morre onde começa a terra, morre na praia.
Arder, é bom ser-se comburente quando o combustível é escrever. Insónia, é melhor quando a seguir se sabe que não haverá tempo para dormir.
Quero droga. Quero mais do mesmo. Ser servido por subserviente desejo, de me encerrar no mais másculo pensamento. Ser invencível, o melhor, o bom que existe. Um chuto no vazio, no dia que já mostra cara do que será. Tomarei vinte e quatro, horas que são minutos de pensar no mesmo. É terrível articular-me sempre no mesmo sentido, o que não vem nos relógios. É difícil vestir a pele que tenho por dentro, roupa insuficiente para tapar o mínimo necessário.
Espero à esquina, pelo cliente que sou de mim, desejoso em lacunas sentimentais. Deteriorar-me na entrega, em troca de umas moedas. Olho-me nos olhos, faço-o comigo. Com força. Dói-me. Rasga-me. De tudo o que fica naquela cama, uma beata mal fumada, jaz no ventre criador de mim. Corto-me em finos fiapos, pesado a ouro, tingido a negro.
Voltarei para casa, deitando-me ao meu lado, no silêncio do que já não me une. Escondo o perfume barato, o suor que evapora a união das minhas faces. Nem uma palavra, nada do que já esteja gasto. Costas com costas, estas que tenho, para quem sou. Ao acordar, fintando-me ao espelho, direi novamente...
- Puta, sou tão deliciosa. Que horror!
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