Brilhante, reluzente e saborosa
Estica a tua língua para a minha boca
Lambe tudo o que sou, sorve com delicadeza
O corpo que tenho, a carne que te dou
Fodo a preceito, porque tanto quero foder-te
Foder é gozar, a soldo, a gosto e com jeito
Deitado e em riste, sem ligar ao feitio
Fodendo te fodo, dentro de ti correndo bem solto
Digo foder, porque amar é comer-te
De me vir dentro e fora de ti
Fodo-te, fodendo-me em palavra barata
E quando me fodes, enquanto fodes quem sou
Como da tua carne, sendo a minha alimento
Mais há para te foder, que a foda de ser
Injectando no teu ventre toda a viril vontade
Tesão em cordões de semente, que te preenchem a rodos
Fodo, em foda que é fazê-lo contigo
Esta que tanto fazemos, até morrer em castigo
No cigarro que se acende, na droga que se inala
Fodemos mais um pouco, fodendo quem somos
A tua excitação, na tua flor rubra e inchada
Libertas hormonas que mordo no ar
Crava-me incisivos na pele, as unhas no corpo
Cavernoso, esponjoso, tanto quanto fodes e te vens
É como seres ópio na boca e eu levar-te o cachimbo
Seres vitória e derrota, no êxtase de morrer em ti
Fodo-te à pressa, tendo tempo demais à espera
Querendo mais foder que propriamente foder-te
Expelir-me em espasmos, sôfrego engasgo de tusa
Depressa, com força, quero mais, fode-me mulher
Sou homem que vês, quero foder o que tens
Foder-te no fim, sem princípio que comece.
terça-feira, 13 de março de 2007
quarta-feira, 7 de março de 2007
Sem nome
Deixei entrar o pecado, por onde custa mais a sarar. A voz que obriguei a calar, embalada no meu próprio sono. Tento reatar o esquecimento à lembrança. Talvez até seja demasiado tarde, daqui a nada já eu próprio nem sou, e pouco ou nada evolui. Foi erro consumado, querer reinventar uma perda, daquele género que não se tem, de tanto querer que chega a doer, quando se atinge.
Seria um acto, um erro imperdoável, impróprio de quem quer ser mais do que realmente é, eu não sou. Redesenho em todo o papel, um outro cenário de morte, mesmo que não termine aqui, mas aqui termino. Seria demasiada, a sorte, afortunado serão em que todo o céu se torna num tormento somente, o meu.
Na obscuridade criada para mim, todo o meu conceito de vida fica em causa. O meu estado critico, tanta vez confinado à exígua vivência, em nada me resolvo, e por tudo me desfaço.
Acredita-se, em crença de quem mais quer, mais que Céu e Inferno, abstém-se de tudo mais, até de essência. Com tudo isto, sinto-me lasso na própria amarra. Talvez porque insista no erro de querer saber mais. Tudo, assim como nada, são unos na minha constante revolta, nas chamas que não me conformam.
Saberia melhor viver, sem ter a consciência que me tolda toda a pertinência, moldada ao feitio de antigo artesão. Como a mudança assiste à necessidade, sinto-me demasiado convencional, por saber que na verdade, tudo não passa de uma realidade inventada.
Invejo a simplicidade, toda a que tento copiar para mim. Os meus cães que se deitam ao sol, e o máximo que os consigo acompanhar, é fumar um cigarro ao lado dos seus corpos, quentes e sedosos.
A vida é trama engrenada, sem veios nem roscas. Não se trocam peças, muito menos papéis. Todo o qual renunciei, agora vivo-o na melhor forma que sei e conheço aparentemente. Mesmo que me mate aos poucos, como no cigarro que fumo, inalando todo o seu mal, o bem que me faz. Perderei anos a fio, de juízo enganador, pois não sou mais que eu mesmo, este que termina aqui.
Talvez me limite a não mais pensar, sem querer saber o que há para além da vistosa cortina. O espírito, assim desta única forma que sei, acusa o desgaste. Por vezes chego a estar tão farto de mim, de me ouvir e sentir a pensar. Por vezes pergunto-me para que serve tudo isto.
Para tudo há um limite, até mesmo para a nudez da alma. Como poderia desnudar-me e mergulhar num lago de farpas, se nem direito à dignidade existe. Dificultam-me a respiração, e sem rumo, fraquejo sem alcançar a praia. Do novo sabor que a vida me traz, na minha boca transporto sensação que me obrigo a esquecer. Assim não quer o destino, e forçado sou, a comer sem querer engolir. Basta-me o serão, olhando complacente, para as despidas paredes de recordações.
Atiço o lume, perco-me na chama que ilumina o resto que mostro. Os momentos inadiáveis, marcadores do caminho a seguir, são riscos que provoco na pele, pela caneta que não escreve. De toda a solidão que necessito, cuido a minha espera, no muro limitativo do espírito. Assim como qualquer outro ser, emergindo da necessidade de necessitar, o melhor que existe em mim, é já nada haver para contar.
Há um sentimento que nasce comigo. Eu nasço com o dia, e perdido na manhã que me cega, poderia engolir toda a névoa, e mesmo assim continuar perdido em campo aberto.
Aberto está o meu peito, sem chagas, apenas na voz que chama. Poderia pensar-te mais um pouco, mas farto já estou de te inventar. Sem ser aqui, preciso de ti.
Seria um acto, um erro imperdoável, impróprio de quem quer ser mais do que realmente é, eu não sou. Redesenho em todo o papel, um outro cenário de morte, mesmo que não termine aqui, mas aqui termino. Seria demasiada, a sorte, afortunado serão em que todo o céu se torna num tormento somente, o meu.
Na obscuridade criada para mim, todo o meu conceito de vida fica em causa. O meu estado critico, tanta vez confinado à exígua vivência, em nada me resolvo, e por tudo me desfaço.
Acredita-se, em crença de quem mais quer, mais que Céu e Inferno, abstém-se de tudo mais, até de essência. Com tudo isto, sinto-me lasso na própria amarra. Talvez porque insista no erro de querer saber mais. Tudo, assim como nada, são unos na minha constante revolta, nas chamas que não me conformam.
Saberia melhor viver, sem ter a consciência que me tolda toda a pertinência, moldada ao feitio de antigo artesão. Como a mudança assiste à necessidade, sinto-me demasiado convencional, por saber que na verdade, tudo não passa de uma realidade inventada.
Invejo a simplicidade, toda a que tento copiar para mim. Os meus cães que se deitam ao sol, e o máximo que os consigo acompanhar, é fumar um cigarro ao lado dos seus corpos, quentes e sedosos.
A vida é trama engrenada, sem veios nem roscas. Não se trocam peças, muito menos papéis. Todo o qual renunciei, agora vivo-o na melhor forma que sei e conheço aparentemente. Mesmo que me mate aos poucos, como no cigarro que fumo, inalando todo o seu mal, o bem que me faz. Perderei anos a fio, de juízo enganador, pois não sou mais que eu mesmo, este que termina aqui.
Talvez me limite a não mais pensar, sem querer saber o que há para além da vistosa cortina. O espírito, assim desta única forma que sei, acusa o desgaste. Por vezes chego a estar tão farto de mim, de me ouvir e sentir a pensar. Por vezes pergunto-me para que serve tudo isto.
Para tudo há um limite, até mesmo para a nudez da alma. Como poderia desnudar-me e mergulhar num lago de farpas, se nem direito à dignidade existe. Dificultam-me a respiração, e sem rumo, fraquejo sem alcançar a praia. Do novo sabor que a vida me traz, na minha boca transporto sensação que me obrigo a esquecer. Assim não quer o destino, e forçado sou, a comer sem querer engolir. Basta-me o serão, olhando complacente, para as despidas paredes de recordações.
Atiço o lume, perco-me na chama que ilumina o resto que mostro. Os momentos inadiáveis, marcadores do caminho a seguir, são riscos que provoco na pele, pela caneta que não escreve. De toda a solidão que necessito, cuido a minha espera, no muro limitativo do espírito. Assim como qualquer outro ser, emergindo da necessidade de necessitar, o melhor que existe em mim, é já nada haver para contar.
Há um sentimento que nasce comigo. Eu nasço com o dia, e perdido na manhã que me cega, poderia engolir toda a névoa, e mesmo assim continuar perdido em campo aberto.
Aberto está o meu peito, sem chagas, apenas na voz que chama. Poderia pensar-te mais um pouco, mas farto já estou de te inventar. Sem ser aqui, preciso de ti.
sexta-feira, 2 de março de 2007
Azul
A cor fatal, destinada a impregnar-me os sentidos, resultou num fracasso bem redondo e pesado. Pensei eu, na minha bondade, talvez seja resultado de uma má mistura de componentes. O Azul, triste e frustrado por não mais me alegrar, convencia-se em enfadonho degrade, que nada mais valeria pintar.
Era um rubro desejo de vingança. A maldita nuvem que me impede de brilhar. Azul, onde já não estás, nem vive o tom que me alegrava. Azul, porque sempre foste azul, e eu nem sei de que cor te pintas agora.
Segreda-se, aos soluços de cada voz, num esconderijo do coração, confissões e conspirações de paletas. Azul, diz-me que o mar te pertence, que o céu vive e morre em ti. Por esta cor, nada mais me interessa escrever, mesmo que escreva no papel a negro retinto.
Encomendo, à tua responsabilidade, a cor do olhar de quem me sabe ver. Ao sol ordenei o seu sorriso, tamanho de uma alegria de criança. Azul, diz-me que sou tão parecido a ti, mesmo que os meus olhos espelhem a terra. Não são enganos, nem prantos que me servem de capote. De azul tingido, o lago, até onde tudo termina, mesmo que o mundo tenha mais voltas a dar.
No seu encalço, retomando um caminho quase esquecido perdido, sigo em leve passo, querendo atingir o cerúleo, daquele sem nome. Mais que universal, marcando sem pressa de tempo, a hora de um beijo repartido.
Azul, que não desbote em mágoa, nem manche o lençol sem mácula. Marca-me antes em destino que te sou. Naufragar no mergulho lento em ti, sorridente, tendo presente na memória, tudo o que me resta de ti, azul.
Era um rubro desejo de vingança. A maldita nuvem que me impede de brilhar. Azul, onde já não estás, nem vive o tom que me alegrava. Azul, porque sempre foste azul, e eu nem sei de que cor te pintas agora.
Segreda-se, aos soluços de cada voz, num esconderijo do coração, confissões e conspirações de paletas. Azul, diz-me que o mar te pertence, que o céu vive e morre em ti. Por esta cor, nada mais me interessa escrever, mesmo que escreva no papel a negro retinto.
Encomendo, à tua responsabilidade, a cor do olhar de quem me sabe ver. Ao sol ordenei o seu sorriso, tamanho de uma alegria de criança. Azul, diz-me que sou tão parecido a ti, mesmo que os meus olhos espelhem a terra. Não são enganos, nem prantos que me servem de capote. De azul tingido, o lago, até onde tudo termina, mesmo que o mundo tenha mais voltas a dar.
No seu encalço, retomando um caminho quase esquecido perdido, sigo em leve passo, querendo atingir o cerúleo, daquele sem nome. Mais que universal, marcando sem pressa de tempo, a hora de um beijo repartido.
Azul, que não desbote em mágoa, nem manche o lençol sem mácula. Marca-me antes em destino que te sou. Naufragar no mergulho lento em ti, sorridente, tendo presente na memória, tudo o que me resta de ti, azul.
Imagens: (http://lampadamervelha.photoblog.com)
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